Estrela Verde

O que é a Estrela Verde?

A Estrela Verde é uma métrica holística, de natureza gráfica, que engloba os 12 princípios da Química Verde de uma forma global e sistemática, sendo possível avaliar a verdura das atividades experimentais em laboratórios de ensino, no âmbito da Química Verde (RIBEIRO; COSTA; MACHADO, 2010; RIBEIRO; YUNES; MACHADO, 2014; COSTA, 2011). A Figura ilustra uma visão global da Estrela Verde.


Fonte: RIBEIRO; COSTA; MACHADO (2010).

A Estrela Verde é construída de acordo com os critérios de avaliação de cada um dos 12 princípios da Química Verde. Machado (2014) descreve que para cada princípio da Química Verde em análise atribui-se uma pontuação de 1 (um) a 3 (três).

Pontuação 1 ausência de verdura química (casos malignos ou vermelhos).

Pontuação 2 significa moderadamente verde – aceitável, embora com algumas restrições.

Pontuação 3 plenamente verde, representando casos ideais de atividades experimentais (MACHADO, 2014).

Destaca-se que na falta de informações sobre algum dado, como por exemplo, de degradabilidade, atribui-se pontuação 1. Essa pontuação significa aplicar o princípio da precaução, ou de acordo com Machado (2014), em linguagem comum, “joga pelo lado mais escuro”.

Clique aqui para visualizar os componentes e pontuações dos princípios para construção da Estrela Verde.

Também é calculado um valor numérico que expressa a área verde da Estrela Verde. Calcula-se a razão entre a área verde da estrela e área verde da estrela de verdura máxima, expressa em porcentagem. Denominada índice de preenchimento da estrela (IPE, pelo índice de pré-fixação da estrela). Para a estrela verde química máxima, IPE = 100 e, no mínimo, IPE = 0 (MACHADO, 2014).

IPE:  (100 × área verde da estrela / área verde da estrela de verdura máxima).

Como construir a Estrela Verde?

De acordo com Machado (2014), para construir a Estrela Verde referente a uma atividade experimental de síntese, são seguidos os seguintes passos:

1.Pesquisa de todas as substâncias envolvidas no experimento: reagentes, produtos e subprodutos obtidos, catalisadores, solventes, agentes de purificação, secadores e resíduos resultantes.

2. Para cada uma dessas substâncias/materiais, é necessário pesquisar informações sobre os perigos potenciais à saúde humana, ao meio ambiente e físico, a partir das fichas de dados de segurança e, eventualmente, outras fontes. As substâncias são pontuadas de acordo com o perigo. Recebe pontuação 1, se a substância apresentar benignidade máxima. Atribui-se pontuação 3, se apresentar perigo máximo. 2 se apresentar perigo moderado. Clique aqui para visualizar a tabela com o código de perigo e a respectiva pontuação na Estrela Verde (Fonte da Tabela: Portal Educa).

3. Posteriormente, investigamos a pontuação (1, 2 e 3) para o cumprimento de cada princípio da Química Verde.

4. Construção da estrela verde a partir das informações introduzidas, automaticamente em um gráfico do tipo radar.

A Química Verde, no âmbito educacional, ainda é incipiente. O emprego das métricas para investigar os impactos ambientais causados pela prática de laboratório e indústria, pode ser introduzido no ensino fundamental e médio. Nesse sentido, as atividades experimentais podem ser uma caminho para inserir o estudo das métricas de Química Verde no ensino (COSTA, 2011).


Referências

COSTA, D. A. Métricas de Avaliação da Química Verde – Aplicação no Ensino Secundário. Tese (Doutorado em Ensino e Divulgação das Ciências) – Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, Universidade do Porto, Porto, 2011.

DUARTE, R. C. C.; RIBEIRO, M. G. T. C.; MACHADO, A. A. S. C. Avaliação da “Microverdura” de sínteses com a estrela verde. Química Nova, v. 37, nº. 6, S1-S22, 2014.

FERNANDES, T. M. V. Síntese de Benzalacetofenona. Centro de Química da Universidade do Porto. Disponível em: <educa.fc.up.pt> .

MACHADO, A. A. S. C. Introdução às métricas de Química Verde – Uma visão sistêmica. Florianópolis: Ed. UFSC, 2014.

RIBEIRO, M. G. T. C.; COSTA, D. A.; MACHADO, A. A. S. C. Uma métrica gráfica para avaliação holística da verdura de reacções laboratoriais – “Estrela Verde”. Química Nova, v. 33, nº. 3, p.759-764, 2010.

RIBEIRO, M. G. T. C.; YUNES, S. F.; MACHADO, A. A. S. C. Assessing the Greenness of Chemical Reactions in the Laboratory Using Updated Holistic Graphic Metrics Based on the Globally Harmonized System of Classification and Labeling of Chemicals. Journal of Chemical Education, v.91, p.1901-1908, 2014.

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Consulte o roteiro experimental abaixo:

Reação. Em um balão de fundo redondo, adicionar 0,125 mol de álcool isoamílico, 0,250 mol de ácido acético e 0,05mL de catalisador H2SO4. O condensador de refluxo foi adaptado e a mistura de reação aquecida durante 2 horas em banho de óleo na temperatura de ebulição do álcool correspondente. Após 2 horas de aquecimento, deixe a mistura reacional esfriar à temperatura ambiente.

Isolamento: Após 2 horas de aquecimento, colocou-se a mistura de reação em um funil de separação, adicionando-se cuidadosamente 100 mL de água. A fase aquosa (inferior) foi desprezada e a fase orgânica foi lavada 2 vezes com 50 mL de solução saturada de bicarbonato de sódio. Desprezou-se novamente a fase aquosa e lavou-se a fase orgânica com 25 mL de água. O éster bruto foi transferido para um béquer, ao qual se adicionou sulfato de sódio ou sulfato de magnésio anidro.

Informações adicionais. A lavagem com a solução aquosa de hidrogenocarbonato de sódio tem como objetivo remover a máxima quantidade de ácido acético, visível através da libertação de dióxido de carbono